
À tarde não saudável entra em minha casa, invade meu ser sob o duro sol das 3 horas. Sozinha me encontro agora, sem mais a casa para limpar, sem o telefone tocar mesmo que por engano para a voz de mais um perdido me salvar.
Então como um leve apelo pela vida sendo atendido, o barulho mecânico e nervoso ecoa pela sala tão cheia de mim:
- Quem fala? – não preciso apresentar-me com um cansaço que se confunde com tristeza.
- Quem me dera ser outra
- Porque diz isso?
- Pouco a pouco me levei para tornar quem sou.
- E agora? Arrepende-se?
- E há tempo para o arrependimento? Pois até agora só encontrei para meu perdão.
- Então se perdoa por ser quem és? Agora o que pensas? Em salvar-te?
- Perdôo-me pouco, a cada dia, salvar-me irei apenas através do amor, amo como quem tem fome, desesperada pela quantidade de amor preso em mim.
- Tu vives?
- Vivo de fatos, quando respiro se tornam uma pequena seqüência de vida presente. Ah e se vivo o amor? Vivo, porém até a mais pequena forma de vida , sabe que o amor quando muito grande sufoca.
- Por isto não respiras a dureza do sol?
- Quando vejo o sol ríspido e imponente, guardo para mim o amor que tenho em excesso. Porém me canso.
Desliguei o telefone encarnando o calor a luz plena. Fechei-me nas sombras cansada de todo amor do mundo que carrego em mim.
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